Medicação Intracanal / MIC -  endo-e

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A função da medicação intracanal em endodontia é basicamente combater microrganismos que resistiram à sanificação do sistema de canais radiculares proporcionada pelo preparo químico-cirúrgico, modular a reação inflamatória que ocorre após o preparo do canal radicular, ocupando fisicamente o espaço do canal, pois sabemos que o conduto vazio funciona como um tubo de ensaio para a recontaminação microbiana do mesmo.

Antigamente a fase de medicação intracanal constituía-se numa espécie de rodízio de medicamentos, principalmente derivados fenólicos, empregados de forma empírica, sem embasamento científico, baseado na experiência adquirida pelo profissional, comprometendo o processo reparacional e, conseqüentemente, o sucesso do tratamento endodôntico.

 

Atualmente a medicação intracanal utilizada para casos envolvendo dentes portadores de polpa viva constitui-se na associação de um antiinflamatório do grupo dos corticosteróides com um antimicrobiano. O antiinflamatório é o fosfato de dexametasona, pois trata-se de corticosteróide potente e seguro do ponto de vista biológico e o antimicrobiano, o paramonoclorofenol, associados ao polietilenoglicol 400 e ao rinossoro.

Tal medicação é denominada NDP e encontra-se disponibilizada comercialmente em tubetes, facilitando sua aplicação no interior do canal radicular.

 

 

Embalagem NDP

 

Tubete com NDP

 

 

 

 

 

 

 

 

Para casos envolvendo dentes portadores de polpa mortificada utiliza-se basicamente compostos antimicrobianos representados pelo hidróxido de cálcio e pelo paramonoclorofenol. Nos casos onde o preparo do canal, por motivos diversos como tempo, habilidade do profissional etc, não foi concluído, utiliza-se como medicação intracanal, o paramonoclorofenol associado ao polietilenoglicol 400 e ao rinossoro, denominada PRP encontrando-se, também, disponibilizada comercialmente em tubetes.

 

 

Embalagem PRP

 

Tubete com PRP

 

 

 

 

Para aqueles casos onde o preparo do canal radicular foi concluído utiliza-se o hidróxido de cálcio associado a um veículo viscoso, o polietilenoglicol, proporcionando uma liberação lenta e constante de íons cálcio e hidroxila, alcalinizando o meio, e, assim, combatendo os microrganismos presentes. Tal medicação também encontra-se disponibilizada comercialmente em tubetes com o nome Calen® (SS White). É importante salientar que o hidróxido de cálcio possui duas atividades principais quando utilizado como medicação intracanal: ação antimicrobiana obtida pela elevação do pH (alcalinização) do meio e indução da mineralização tecidual através da ativação enzimática, principalmente da fosfatase alcalina.

 

 

 

Embalagem Calen® com (3) tubetes

 

Tubetes com (2) Hidróxido de Cálcio com veículo viscoso e (1) Glicerina.

 

Entretanto, algumas indicações para o uso da medicação intracanal a base de Hidróxido de Cálcio se faz necessário, tanto para os casos de polpa morta, mas principalmente nos casos de polpa viva, onde o tempo de permanência da medicação intracanal é prolongado entre sessões, por motivos diversos, ou casos de reabsorções interna, mancha rósea e reabsorções externa do dente, oriundas das alterações degenerativas das doenças da polpa.

 

Técnica de introdução da medicação intracanal / MIC

 

Valendo-se da seringa Carpule e tubetes de NDP ou PRP previamente posicionado, calibrar agulha curta pré curvada e limitador de silicone à 2mm aquém do CRT. Salienta-se, a pré curvatura pode ser conseguida por meio por ex.: do intermediário de aspiração ou caneta de alta rotação para facilitar a introdução da medicação intracanal no interior do conduto.

Sempre desprezar a primeira gota de MIC antes da introdução e preencher de apical para cervical até as imediações da entrada do canal.

 

Introdução da MIC

 

Tubetes de NDP e PRP

 

Valendo-se da seringa ML (SS White) e o tubete de glicerina previamente posicionado, calibrar agulha longa pré curvada e limitador de silicone à 2mm aquém do CRT, valendo-se do giro à direita do acionador de êmbolo da seringa ML até sair uma gota através da extremidade para lubrificação da agulha, substituir o tubete de glicerina pelo Hidróxido de Cálcio (Calen®), rosquear novamente o suficiente para desprezar a primeira gota de Ca(OH)2. Preencher de apical para cervical até as imediações da entrada do canal.

 

 
 

Seringa ML® (SS White)

 

Salienta-se que, a agulha longa Septoject XL (27G 0.40 X 30 AM) da Septodont® possui um diâmetro interno 43% maior quando comparado às convencionais, conferindo-lhe menor possibilidade de obstrução da agulha e facilidade de introdução do hidróxido de cálcio com veículo viscoso no interior do canal radicular.

 

Diferença do diâmetro interior

 

Agulha longa Septoject XL (longa) da Septodont®

 

 

 

Tubetes Calen®

 

Lubrificando agulha longa com Glicerina

 

Desprezando a 1a. gota de Calen®

 

 

 

 

RX inicial do tratamento endodôntico

 

Introdução da MIC, 2mm aquém do CRT, de apical para cervical, conforme videoclipe a seguir

 

Selamento provisório e remoção do isolamento absoluto

 

RX depois da MIC (Calen®) e selamento

 

Observar que, na radiografia após a introdução de MIC a base de Hidróxido de Cálcio Ca(OH)2 a luz do canal torna-se quase invisível, devido a radiopacidade da medicação intracanal ser semelhante à dentina.

 

Videoclipe (730KB) da técnica de introdução da medicação a base de Hidróxido de Cálcio - Calen®, valendo-se da seringa ML e agulha longa.

 

CONSTRUÇÃO...